Algumas manchas e queixas de sensibilidade chegam às clínicas de estética como “coisa simples”. Contudo, na prática, o esteticista também atua no campo da segurança, de modo que reconhecer sinais suspeitos, evitar condutas inadequadas e direcionar o cliente para avaliação qualificada faz parte de um atendimento responsável.
O que observar na pele
A Dra. Mônica Antar, enfermeira, mestre e doutora em Epidemiologia, destaca como sinal frequente a “mancha hipocrômica, anestésica”: área mais clara, com redução/ausência de sensibilidade, em que não cresce pelo e que muitas pessoas descrevem como uma mancha que “não suja”.
Segundo ela, esse quadro pode passar despercebido e acabar tratado como lesão fúngica; em quadros que evoluem, podem surgir lesões eritematosas, acastanhadas, violáceas, com infiltração.
Como agir quando algo parece fora do padrão
A Dra. Mônica Antar lembra que diagnóstico e tratamento não fazem parte da rotina estética, mas cabe ao esteticista suspeitar, conversar e encaminhar. Na cabine, isso significa não chutar que é micose, melasma, foliculite ou hipocromia pós-inflamatória quando há alteração de sensibilidade, orientando a busca por dermatologista ou atenção básica.
Ela também chama atenção para sinais que podem surgir sem mancha visível, como formigamento e choque, além de neurites (inflamação de um nervo periférico), dor em formigamento e perda de força muscular. Para a especialista, a comunicação é fundamental e o estigma ainda pesa, alimentado por um imaginário histórico de “pecado” e “sujeira”.
Biossegurança é inegociável
“Todas as medidas de bioproteção devem ser feitas em qualquer tipo de avaliação estética, com a lavagem das mãos, o uso das máscaras, dos gorros, do propé, do avental de proteção”, afirma a Dra. Mônica Antar, lembrando que o profissional entra em contato com vírus, bactérias e fungos no dia a dia.
Ela acrescenta que 95% da população tem fator de resistência, que a transmissão depende de contato íntimo e prolongado e que, com tratamento, após três a trinta dias a pessoa já não transmite.
Fortaleça sua credibilidade
“A hanseníase tem cura. Nós celebramos o Janeiro Roxo para que a gente realmente consiga combater a hanseníase e controlar as complicações tardias, que são as sequelas incapacitantes, utilizando metodologias como a poliquimioterapia e a prevenção da incapacidade”, finaliza a Dra. Mônica Antar.
O Janeiro Roxo, na prática da estética, é sobre responsabilidade, ao reconhecer sinais, encaminhar cedo e manter a biossegurança como rotina. Esse cuidado protege o cliente, a clínica e também fortalece a credibilidade técnica de seu atendimento.
Quer reforçar sua prática segura? Leia sobre Biossegurança em estética: o que não se pode ter na sala de atendimento.Créditos: Freepik