Flacidez, ressecamento e perda de volume facial chegam às clínicas — veja o que o esteticista precisa saber para orientar com segurança e atuar como suporte, junto ao médico e ao farmacêutico
O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” cresceu e, com ele, clientes que emagrecem rápido e procuram a estética por mudanças na pele.
Flacidez, queda de tônus, perda de volume no rosto e ressecamento intenso passaram a aparecer com frequência na cabine, de modo que o esteticista, mesmo sem prescrever medicação, precisa entender o contexto para orientar e ajustar protocolos dentro da sua atuação.
Para o endocrinologista Dr. Filippo Pedrinola, o impacto não está só no peso perdido, mas também na velocidade e na qualidade dessa perda.
O que muda no tecido cutâneo
Segundo o médico, três mecanismos explicam boa parte das queixas: perda acelerada de gordura subcutânea (sustentação e preenchimento), redução de massa magra quando não há estímulo proteico e muscular — o que compromete o suporte dérmico e favorece flacidez — e desidratação tecidual funcional, ligada à menor ingestão alimentar, redução de eletrólitos e alterações na percepção de sede.
O resultado pode ser “pele mais fina, opaca e com perda de elasticidade”, com piora da textura e desconforto.
Quem tem mais risco de flacidez
O Dr. Filippo Pedrinola reforça que o medicamento não age isoladamente, uma vez que ele “acaba potencializando fragilidades pré-existentes”.
Entre os fatores de risco, ele cita a idade acima de 40 anos, perda de peso muito rápida, baixa ingestão proteica e sedentarismo/ausência de treino de força (com risco de perda de massa magra).
“Do ponto de vista médico, a flacidez do emagrecimento medicamentoso não é um efeito colateral inevitável, mas sim um efeito previsível quando o tratamento não é conduzido de forma integrada”, afirma.
Como ajustar protocolos não invasivos
O especialista recomenda cautela no começo do processo, quando a pele tende a ficar metabolicamente mais vulnerável.
Na prática, nessa fase é preciso evitar protocolos agressivos; priorizar hidratação e restauração da barreira cutânea; trabalhar estímulos progressivos de colágeno, respeitando o tempo biológico; e monitorar sinais de alerta, como afinamento excessivo, sensibilidade aumentada ou recuperação lenta pós-procedimento.
Cuidado integrado: o que cabe a cada profissional
O endocrinologista defende um “projeto terapêutico multidisciplinar”: o médico ajusta dose e ritmo de perda ponderal e acompanha massa magra, hidratação e status hormonal/nutricional; o farmacêutico orienta sobre adesão, efeitos adversos, suplementação segura e farmacovigilância; e o esteticista identifica precocemente alterações de textura, flacidez e ressecamento, ajustando protocolos de suporte.
Canetas emagrecedoras são ferramentas que exigem trabalho em equipe. Para a estética, o caminho mais indicado é o da prevenção: hidratar, fortalecer a barreira e acompanhar sinais — em parceria com médico e farmacêutico.
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