Em massagens, o toque pode abrir espaço para emoções. Entenda como acolher com segurança, sem virar terapia
Na massagem, não é só o músculo que responde. Segundo a fisioterapeuta Ana Martha, da Top Corpus, “o toque e a escuta acessam os sistemas nervosos central e periférico, promovendo sensações de bem-estar e relaxamento, o que gera uma liberação de neurotransmissores como serotonina, endorfina, ocitocina e dopamina”.
Desse modo, dá para entender por que alguns clientes entram em um relaxamento profundo — e, em alguns casos, acessam emoções.
Quando a pessoa se sente acolhida, ela pode falar mais. Nesse momento, o profissional “vai fazer uma terapia de escuta, somente de escuta, e acolhimento”, sem virar conselheira: “um conselho, um julgamento jamais”, orienta Ana Martha.
Quando o relaxamento vira emoção
Ana Martha observa que, em tempos de depressão, ansiedade, estresse, burnout, a cabine pode virar um dos poucos lugares de pausa e cuidado. A primeira reação, muitas vezes, é o choro.
Ela cita áreas que tendem a concentrar tensão e sensibilidade, como “bem no meio do tórax, entre as mamas”. Ao liberar essas tensões, o corpo pode reagir, e a cliente nem sempre entende o motivo.
Ética: acolher sem aconselhar
“A linha ética e clínica exclui o aconselhamento: jamais haverá julgamento ou sugestões. Isso vale tanto para o campo clínico — evitando diagnósticos precipitados como ‘isso é depressão’ — quanto para o campo emocional. Não cabe ao profissional dizer se uma atitude foi errada ou julgar as pessoas do convívio do paciente, como o marido. A neutralidade é absoluta“, explica Ana Martha.
Se o relato ou a reação indicar que é preciso suporte além do atendimento estético, o caminho é ter rede e encaminhar. Ana Martha recomenda trabalhar com uma equipe multidisciplinar e indicar profissionais quando necessário.
Preparação do profissional: consciência e presença
O preparo começa antes de acontecer, sobretudo a consciência de que isso pode acontecer na sala.
Se surgir choro, silêncio profundo ou relatos pessoais, a orientação é sustentar a escuta e o acolhimento, manter o foco no cuidado corporal e seguir o protocolo, sem ultrapassar o papel do esteticista.
Um caso que ilustra o impacto do cuidado
Ana Martha compartilha o relato de uma senhora do interior da Bahia, com depressão e dores, que ficava em posição fetal e só conseguia ser tocada pelos pés.
Com o tempo, o toque virou confiança, com ela deitando na maca, conseguindo sorrir. Em poucas sessões, Ana Martha recebeu um vídeo da paciente “dançando um forrozinho em uma festa de igreja”. A cliente também tem Parkinson, e o acompanhamento ajudou a reduzir o impacto dos sintomas.
Em massagens, o toque pode abrir espaço para emoção, o que não é problema. O cuidado está em acolher com escuta e presença, sem aconselhar, sem diagnosticar e sabendo a hora de encaminhar. Assim, a relação estética–cliente ganha profundidade, sem ultrapassar limites clínicos.
Cada fase do corpo exige um protocolo específico. Veja como adaptar seu atendimento para gestantes, mulheres na menopausa e pessoas com foco em performance física.