Fios, bioestimuladores e scaffolds estimulam a regeneração do tecido; o “natural” aparece quando a indicação respeita o tempo biológico e a rastreabilidade
Nos procedimentos com biomateriais — como fios, bioestimuladores e scaffolds — o que está em jogo não é só resultado natural, mas segurança clínica no médio e longo prazo.
Quem faz esse alerta é Michelly Paschuino, naturóloga e esteticista. Para ela, esses materiais vêm ganhando espaço justamente por ajudarem a transicionar da estética corretiva para a regenerativa, porém, exigem indicação precisa.
Quando o profissional entende o tempo biológico do tecido, o papel da inflamação controlada e a rastreabilidade do produto, o tratamento tende a estimular sem agredir.
Uma ponte para a estética regenerativa
Michelly Paschuino define os biomateriais como “uma ponte entre a estética corretiva e a estética regenerativa”. Bem indicados, eles “atuam como sinalizadores biológicos”, favorecendo “a neocolagênese e a reorganização da matriz extracelular”.
Nada é inerte: inflamação e tempo de tecido
“Nenhum biomaterial é inerte biologicamente”, aponta Michelly Paschuino. Eles interagem com o sistema imunológico e com a dinâmica inflamatória do tecido.
Segundo ela, o profissional precisa compreender inflamação controlada vs. patológica, o papel dos macrófagos, o tempo de degradação e a diferença entre estímulo mecânico, bioquímico e estrutural (scaffold).
Sem esse repertório, “o risco não está apenas na técnica, mas na escolha inadequada do material” para o biotipo, o histórico inflamatório e o momento biológico do paciente.
Indicação, composição e rastreabilidade
Na rotina, a escolha “nunca parte apenas da durabilidade ou da potência do estímulo, mas de uma leitura sistêmica e cutânea do paciente”.
Para Michelly Paschuino, entram na conta barreira cutânea, qualidade do tecido, resposta inflamatória individual e bioafinidade/pureza do material.
Ela exemplifica: “Ácido hialurônico, por exemplo, quando bem escolhido e biocompatível, atua também como modulador inflamatório e hidratante funcional.”
“Polímeros como PCL e PLLA (que são sintéticos, mas são biomiméticos) exigem indicação precisa, técnica refinada e respeito ao tempo biológico”, para que o estímulo não se torne “um fator de sobrecarga inflamatória”.
A composição global não pode ser ignorada: “podem conter xenobióticos, disruptores endócrinos na composição”.
Rastreabilidade também é ética, pois trabalhar com produtos regulamentados, rastreáveis e com estudos sólidos, isto é, “não é apenas uma exigência legal, mas uma postura profissional consciente. A rastreabilidade é sinônimo de responsabilidade com o corpo do outro”.
IA e personalização, sem perder o olhar humano
Michelly Paschuino aposta em uma estética “profundamente personalizada”.
A inteligência artificial pode apoiar diagnósticos e “prever respostas teciduais e riscos inflamatórios, mas nenhuma tecnologia substitui o olhar clínico, a escuta sensível e o entendimento do corpo como um sistema integrado”.
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