Monitorar reações a cosméticos e manter o ambiente seguro não é burocracia, é parte do cuidado e da credibilidade do esteticista
Ardência, coceira, vermelhidão. Quando um cliente reage a um cosmético, a clínica precisa saber o que fazer.
É o que defende a farmacêutica Dra. Valéria Antunes, especialista em pesquisa e desenvolvimento de cosméticos e mestre em engenharia biomédica.
Para ela, a segurança se constrói com rotina, registro e comunicação, não só “quando dá ruim”.
Cosmetovigilância: o pós-uso que vira cuidado
A definição oficial da Anvisa informa que a cosmetovigilância é a vigilância e o monitoramento pós-comercialização/pós-uso de cosméticos regularizados.
Ela inclui identificar, notificar, avaliar, investigar, comunicar e prevenir reações adversas, considerando ineficácia, uso indevido, intoxicação, exposição ocupacional e queixas técnicas que geraram dano.
A Dra. Valéria Antunes define a cosmetovigilância como “um conjunto de ações voltadas para monitorar a segurança do cosmético depois do uso, de forma que a gente possa identificar, avaliar e prevenir qualquer tipo de evento adverso relacionado aos produtos cosméticos.”
Como cada pele responde de um jeito, ela lembra que podem aparecer “irritação, alergia, ardência e sensibilidade tardia”, depois de um tempo.
Biossegurança: prevenção “antes, durante e depois”
Se a cosmetovigilância olha para o efeito do produto, a biossegurança controla risco no ambiente e no procedimento.
A Dra. Valéria Antunes define como “um conjunto de medidas que visa prevenir e eliminar os riscos durante um procedimento estético”.
Ela cita um exemplo comum: pincéis de maquiagem que passam por diversos rostos sem a devida higienização.
Na rotina, isso se traduz na necessidade de EPIs, higienização das mãos, limpeza de materiais, descarte de resíduos e organização segura do espaço.
Reação? A conduta precisa ser clara e rastreável
Para a Dra. Valéria Antunes, o esteticista precisa observar, registrar as reações e orientar.
Se houver intercorrência, é preciso suspender o uso do produto, encaminhar para avaliação médica e não tentar “tapar o buraco” sozinho.
A etapa seguinte é comunicar o ocorrido para o fabricante, distribuidor e, claro, para a Vigilância Sanitária.
Para padronizar, confira um checklist:
- Anamnese + registro do que foi usado
- Higiene, EPIs, limpeza e descarte corretos
- Diante de reação: suspender, orientar e encaminhar
- Comunicar empresa e vigilância sanitária
- Antes de comprar/aplicar, confirme se o cosmético é regularizado
Credibilidade se constrói com prevenção
Unir cosmetovigilância e biossegurança significa trabalhar com prevenção “antes, durante e depois do atendimento”, evitando intercorrências e trazendo mais segurança jurídica para o profissional.
Para a Dra. Valéria Antunes, o efeito é direto na relação com o público: “esta confiança é o que gera fidelização de cliente”.
Segurança também passa por informação confiável sobre ativos. Leia também: Peróxido de benzoíla causa câncer? Entenda a polêmica.