Técnica entrega renovação intensa, mas exige indicação médica e um pós rigoroso para reduzir complicações, especialmente manchas
O laser de CO₂ fracionado é um recurso usado para melhorar textura, linhas finas e cicatrizes.
A dermatologista Dra. Valéria Campos reforça que é um procedimento exclusivo para médicos; ao esteticista, cabe orientar o cliente com segurança e acompanhar o pós dentro do seu escopo, sem interferir no plano médico.
Como o CO₂ age na pele
Segundo a médica, o CO₂ (10.600 nm) é altamente absorvido por água. No modo fracionado, cria microcolunas de tratamento intercaladas com áreas preservadas, favorecendo a reparação.
Na epiderme, ocorre ablação seletiva e reepitelização a partir de anexos (folículos e glândulas) e das bordas íntegras, com melhora de irregularidades superficiais, textura e poros.
Na derme, há coagulação térmica ao redor das colunas, desnaturação de colágeno e estímulo de neocolagênese (colágeno I/III), com melhora de rítides, cicatrizes e flacidez leve a moderada, com retração tecidual progressiva.
Indicações e quando o cuidado precisa ser redobrado
Entre as indicações médicas estão fotoenvelhecimento (com critério), cicatrizes de acne — sobretudo atróficas —, cicatrizes cirúrgicas/traumáticas e estrias (resultado variável), além de protocolos médicos específicos para queratose actínica/campo de cancerização e rejuvenescimento periocular.
Em fototipos altos (IV–VI), melasma ativo/instável, infecção ativa, dermatite importante, ferida aberta, tendência a queloide/cicatriz hipertrófica, imunossupressão descompensada, diabetes mal controlado, tabagismo intenso e expectativa irreal ou incapacidade de cumprir fotoproteção, a Dra. Valéria Campos aponta maior risco.
Pré e pós: o que orientar e o que observar
No pré, a recomendação é confirmar data, intensidade e prescrição; reforçar fotoproteção; e evitar, no pré imediato, procedimentos que irritem a barreira cutânea. Também vale mapear histórico de herpes labial, tendência a manchas e padrão de cicatrização.
No pós, o foco inicial é barreira cutânea (limpeza suave e hidratação reparadora, conforme prescrição) e disciplina.
“Não remover crostas. Não friccionar, não puxar pelinhas”, alerta a Dra. Valéria Campos. Sobre manchas, ela destaca a hiperpigmentação pós-inflamatória: “É a complicação campeã em fototipos médios e altos ou em quem se expõe ao sol.”
Sinais de alerta
Entre os gatilhos, a dermatologista lista calor, inflamação prolongada, UV/visível, atrito, infecção e remoção de crostas. Por isso, “o esteticista deve respeitar o tempo biológico: pele irritada não é pele pronta para estímulo.”
Sinais de alerta para encaminhar ao médico incluem dor desproporcional, piora progressiva, secreção purulenta, febre, bolhas extensas, áreas com aspecto de queimadura profunda, escurecimento e necrose.
O CO₂ fracionado pode entregar bons resultados, mas o risco cresce quando a pele recebe estímulos precoces. O diferencial do esteticista é orientar, proteger a pele e reconhecer sinais de alerta, conduzindo apenas cuidados seguros.
E quando o assunto é manchas no pós, confira: como tratar hiperpigmentação em peles negras com segurança.